Obsoletismo programado: o que você comprou hoje já está velho.

 Imagem: Google Images

 

Já parou para pensar em quanto tempo o seu novo equipamento, celular, computador ou carro vai durar? Ou em quanto tempo vai levar até você deixar de se divertir para começar a se estressar com ele? Ou ainda em quanto tempo você vai acabar comprando um novo dispositivo para suprir as necessidades que o antigo já não consegue mais? Bom, e se te dissessem que você está fazendo parte de um processo cuidadosamente calculado e elaborado justamente para que continue comprando equipamentos da nova geração?

 

O obsoletismo programado, ou obsolescência programada, faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico que consiste em intencionalmente fabricar, distribuir e vender um produto para consumo, de forma que se torne obsoleto ou não funcional, com o objetivo de fazer com que o consumidor venha a comprar a nova geração deste produto.

 

Introduzido inicialmente nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 o obsoletismo programado foi criado pelo presidente da General Motors, Alfred Sloam, em 1920. Sloam fazia com que os consumidores trocassem de carro, apresentando mudanças anuais de modelos e acessórios, fazendo com que os modelos mais antigos parecessem cada vez mais atrasados e sem condições de uso perante os novos modelos. No setor tecnológico empresas como a Apple e a Microsoft são facilmente lembradas por supostamente adotarem essa estratégia de consumo em seus novos equipamentos.

 

O espanhol Benito Muros, da SOP (Sem Obsolescência Programada), após desenvolver uma lâmpada de longa durabilidade, passou a ser constantemente ameaçado por empresas que utilizavam essa artimanha. Pesquisas realizadas em relação a este assunto afirmam que as lâmpadas, antes produzidas nos Estados Unidos e na Europa, poderiam ter mais de 2.500 horas de uso, porém, a fim de  empregar esse modelo, o tempo de vida útil foi reduzido para cerca de 1.000 horas, fazendo com que as empresas de fabricação de lâmpadas, na época, lucrassem alto.

 

Durante a década de 1950, o obsoletismo programado foi colocado em prática massiva pelo designer Brooks Stevens que já possuía uma certa fama por conta de seus desenhos modernos no desenvolvimento de produtos, defendendo com unhas e dentes a prática. Stevens argumentava que dependia do consumidor: "todos os consumidores são completamente livres para comprar ou não o novo produto no mercado", porém, obviamente o consumidor deseja o que há de mais moderno e novo no mercado e esta é a razão de tal estratégia ser tão efetiva. 

 

Apesar dessa prática ser prejudicial ao meio ambiente e ser um ciclo infinito, visando exclusivamente o lucro, ela não pode mais ser evitada, pelo simples motivo de fazer parte do dia-a-dia da sociedade atual. Todos os anos surgem novas invenções "inovadoras" e todos os anos as pessoas compram essas invenções para que o processo se repita no ano seguinte, e infelizmente ninguém pode dizer que não contribui para que esse ciclo reine próspero, pois, de um jeito ou de outro, os consumidores serão forçados a trocar seus dispositivos por novos, mesmo que pareça trazer benefícios a todos, como por exemplo, a estratégia adotada pela Microsoft de aceitar os antigos Xbox 360 como parte do pagamento dos novos Xbox One.

 

Querendo ou não, o obsoletismo programado já está impregnado na sociedade de consumo de tal forma que não há para onde fugir, restando para os consumidores a única opção de "dançar conforme a música" do consumismo desenfreado".

 

 

Fontes:

Computer Electronics: Blu-Ray (em inglês). ComputerInfoWeb. 

Espanhol que inventou lâmpada que não queima é ameaçado de morte. 

Benito Muros enfrenta a obsolescência programada. Por Cibelih Hespanhol. 

 

 

Lucca Bölner é estudante, tem 14 anos, gosta de música, nerd things, army things e é iniciante como colunista semanal da Lírio Web. Este é o seu primeiro artigo e ele está muito tímido para nos fornecer uma foto. =) 

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