E nada será como antes

 

 Imagem: Google

 

A mudança é uma condição da vida humana. Nascemos, crescemos e somos diferentes em cada fase da nossa vida. Estamos sempre mudando. Aprendemos, com o filósofo Heráclito, que “ninguém toma banho duas vezes no mesmo rio”, pois nem você, nem o rio serão os mesmos.

 

Temos, hoje, uma clara percepção de que tudo muda rapidamente ao nosso redor. As informações fluem como um rio caudaloso e em múltiplos canais. Com smartphones, por exemplo, as pessoas fotografam tantas vezes a mesma coisa que geram uma abundância de imagens, “o que representa o esvaziamento  do olhar”, na opinião de Leandro Karnal. As pessoas deixarem de enxergar a essência das imagens para se fixar na volatilidade do carrossel de figuras.

 

O que permitiu essa revolução acelerada das mudança no mundo foi, primeiro, o computador e, depois, a Internet. Entramos na Era Digital, onde já não é mais possível separar o ambiente real  – anteriormente apresentado com exclusividade pelos meios de comunicação tradicionais, como televisão, rádio, jornal, revista, outdoor, etc – do ambiente virtual: mídias sociais, blogs, sites. 

 

Os dois ambientes estão se metamorfoseando de tal forma que a televisão chama o público para rever matérias nos seus portais e grandes marcas digitais  – como Netflix e Uber – anunciam na mídia impressa. Estratégias de integração de mídia OFF (meios tradicionais) e mídia ON (meios digitais) já experimentaram fazer uma entrevista em um meio digital, através do qual o leitor pode ter acesso a partir de um QR Code impresso em uma revista. É o maravilhoso e acelerado mundo novo.

 

Estamos vivendo a “vida líquida”, como teorizou Zygmunt Bauman, “uma sucessão de reinícios”. A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante. É como a água que escorre por entre os nossos dedos. Tudo se torna efêmero como uma postagem nos stories do Instagram, que dura apenas 24h. Ao mesmo tempo, tal fluidez mostra que as relações pessoais e de negócios são recombinadas, reestruturadas e tentam, como a água, se adaptar ao recipiente que chamamos “mercado”.

 

PODCAST, NOVO FORMATO DE ÁUDIO

 

Na onda das mudanças surgiu o podcast, áudio digital com entrevistas, depoimentos e outros conteúdos, que se constitui uma nova forma de produção. Segundo dados da empresa Rock Content, publicados em julho de 2019, cerca de 50 milhões de brasileiros já ouviram um conteúdo em forma de podcast.

 

Esse formato abre um novo leque de possibilidades de gravação para públicos das mais diversas faixas etárias, especialmente pessoas que estão em deslocamento no trânsito ou executando outra atividade enquanto o ouvem. Atentas a isso, algumas emissoras de TV já começaram a disponibilizar seus programas jornalísticos adaptados a essa nova forma de distribuir conteúdos.

 

OS MEIOS CONVENCIONAIS, OFF-LINE, CONTINUAM RELEVANTES

 

Há quem aposte na substituição dos meios convencionais pelo imenso arsenal de mídias on-line, mas a realidade mostra que os anunciantes e as agências acreditam na integração on/off como solução mais efetiva para as campanhas. 

A mídia OOH (Out of Home) – que engloba outdoor, backlight, mobiliário urbano e outros engenhos instalados nas ruas, shopping centers, elevadores, metrôs e aeroportos – foi a terceira modalidade que mais recebeu investimentos de publicidade (8,4%) em 2018. A TV aberta manteve-se na liderança , com 58% de participação e, em segundo lugar, veio o digital com 17,7% de participação. Tudo segundo a pesquisa Cenp Meios.

Uma das maiores autoridades em marketing na era digital, Martha Gabriel, afirma que a atualidade, com a explosão de mídias e plataformas, nos fez seres “cíbridos”, um neologismo formado a partir das palavras “ciber” e “híbridos”. Tal classificação expressa que a nossa atenção passeia por todos os meios, sejam on ou off-line, daí a importância da integração entre eles, nos planejamentos de campanhas.   

         

O ANUNCIANTE TAMBÉM MUDOU

 

O Cannes Lions 2019, o maior festival de propaganda do mundo, premiou cases que apresentaram propósitos humanistas, como a defesa da diversidade de gênero, de etnia, das relações homoafetivas, dos direitos dos portadores de deficiência, da defesa do meio-ambiente, entre outros. Esses temas mostram que o Anunciante também mudou. Ele não divulga apenas produtos e preços. Fala dos seus propósitos, pois o consumidor quer saber mais sobre eles. Ele se interessa pelo que que está por trás das marcas que admira.

 

AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE: NOVOS FORMATOS

 

A criatividade na propaganda é uma exigência que permanece inalterada porque sempre será a boa ideia quem encantará o público. Já as estruturas das agências estão se adequando aos novos tempos de racionalização das empresas e profissionalização da gestão. 

 

Times enxutos, empresas instaladas em hubs no sistema coworking, equipes trabalhando em home office – porque a internet não obriga o trabalho presencial, dentro da área física da agência – formam o novo cenário do mercado brasileiro e mundial. 

 

São mudanças que começam a desenhar novos formatos de agência. O que jamais deve mudar é o compromisso ético entre a atividade publicitária e a sociedade, bem como a nossa capacidade de se reinventar. O jogo está aberto e  ainda não sabemos como as empresas de publicidade e marketing vão se organizar, que modelo de empresa vai prevalecer. Apenas uma coisa é certa, “nada será como antes, amanhã”, como já cantou Milton Nascimento. 

 

 

 

Vera Rocha Dauster
Presidente do Sinapro-Bahia
CEO da Rocha Comunicação

 Todos os direitos reservados
 

Originalmente publicado em: http://www.sinaprobahia.com.br/e-nada-sera-como-antes/

 

 

 

 

 

 

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